domingo, 16 de fevereiro de 2014

A minha casa



Tudo em casa era sufocante. Um novo dia, era uma nova luta.

O quarto fazia-se sentir pequeno e desorganizado. Os livros, abandonados na estante, não tinham um título nem uma história para contar ou encantar. As fotografias, mortas, exibiam-se a preto e branco. Não continham vestígios de um verde de esperança ou de um vermelho forte como o do sangue.

Quando fechava a porta, era mais uma sensação de liberdade do que saudade.

Havia dias em que mesmo que o sol brilhasse, não havia luz nem força suficiente. Eu era somente um corpo pesado que carregava uma alma vazia.

... E os cantos que ficaram por preencher...
... E o que estava quebrado que ficou por fixar...

Abandonaram-me. Abandonei-me. Abandonei-a, a minha querida casa.