segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

aquela criança



Eu sabia o que era um sorriso, só não conseguia sorrir. Eu sabia que havia amor, só não sabia o que era ser amado e como amar. Eu sabia que a guerra tinha um fim, só não era capaz de baixar as armas e de deixar de me proteger. Eu sabia que precisava de fugir, só não sabia para onde ir. Eu sabia ajudar, só não percebi que era eu quem precisava de ajuda. Eu sabia cuidar, só não me lembrei de mim. Eu sabia que existia vida, só não sabia como a viver. Eu sabia que tinha que viver o presente, só não sabia como esquecer o passado.

Recordo-me daquela criança com um turbilhão de sentimentos. Uma voz tremida. Um corpo encolhido. Uma alma inquieta. Sentia-se tão só, tão frágil, tão no limite. Punha em causa um direito que parecia ter fugido das suas mãos sem se ter dado por isso, o direito de viver e de ser feliz. Nos momentos de desespero tentou desistir. Cometeu o maior erro, abandonou-se. Aquela criança não entendia que por mais que o mundo nos vire as costas, a vida continua. Mas era apenas uma criança... Por mais efémero que tenha sido, essa criança chegou a ter um tempo para ser criança.

Aquela criança [...] era eu.
E uma parte dessa criança, ainda permanece...

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

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Crying isn't a sign of weakness. It's a sign of having tried too hard to be strong for too long.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Que importa?

Que importa se o telefone toca se não é a tua voz que eu ouço? Que importa se toca no rádio aquela que, outrora, fora a nossa música preferida se já não a consegues ouvir? Que importa ir à janela espreitar se não és tu quem está a chegar para me abraçar?

De que vale acordar e ver o nascer do sol se à noite a lua me traz a solidão? De que vale adormecer se já não acordas ao meu lado?

Estás a tão poucos metros, mas sinto-te como se estivesses a milhares de quilómetros, longe de casa. Voltarás cedo? Voltarás em segredo? Pensas em voltar?

É verdade que já não te quero como ontem, nem sei se amanhã vou pensar em ti mas hoje não me importava de te ver. Hoje gostava de te ver porque ainda te estimo. A estimação não tem que acabar só porque os planos que traçámos a dois não resultaram. Estimo-te porque sei que tentaste. Tentámos.

De que vale pensar no passado se o presente não te inclui?
Importa seguir em frente. Importa ser feliz, contigo ou sem ti.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Falta Amor



Vejo no chão um corpo vencido
Vejo em cada esquina uma alma perdida
Ouço alguém no canto em soluços a tentar suspirar
Pelos altos e baixos da Vida.

Vejo uma casa sem tecto
Sinto a noite tão fria
Desliza uma lágrima neste rosto
Se houvesse amor, não havia agonia.

Falta luz
Falta paz
Neste mundo de guerra
A falta que o amor faz...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Imprevisibilidade do Amor



a minha mão na tua mão
o teu peito contra o meu
à noite, na escuridão
estávamos lado a lado
antes do amor ter
acabado

os teus lábios nos meus
sabe Deus...
o quanto te quis
mesmo quando o nosso amor
foi cortado pela raiz

a tua pele vai ser
acariciada por outras mãos,
enquanto a minha
queimará de saudade
para toda a eternidade

promessas que ficaram
por cumprir
de um amor que
ficou por
nutrir

o amor é imprevisível
eu sei
e apesar de tudo
ao teu lado fiquei.

sábado, 21 de julho de 2012

A pele que há em mim



"Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada."

sábado, 16 de junho de 2012

Não te esqueças de nós



Não te esqueças de nós
Mesmo que já não penses em mim
Sinto falta da tua voz
Mesmo sabendo que o amor chegou ao fim
Guarda-me na tua memória
Já que não tens mais espaço no teu coração
Leva um bocado de nós
Na palma da tua mão
Leva o peito contra peito
Quando lá fora a chuva caía
Esquece a guerra de ontem
Amanhã é um novo dia
Lembra-te dos momentos
em harmonia que partilhámos
Esquece o tempo que em guerra
desperdiçámos
Leva os sonhos que conquistámos
Não guardes a dor
Nem os pesadelos da inconstância
desse amor.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Invisível


Criaste um novo ciclo onde eu não posso mais entrar. O ciclo da tua vida.
Construíste muralhas ao teu redor.
Abrigaste-te no teu novo castelo e impuseste-me o afastamento.

Fizeste um novo retrato.
Não desenhaste o meu rosto.
Não fizeste um único traço.
Não deixaste vestígios.
Tornaste-me invisível.

Sou vento que te sopra e tu não sentes.
Sou voz que te sussurra ao ouvido e tu não ouves.
Sou uma carta pendente. És destinatário inexistente.

Acabou a batalha. É o fim do jogo. Tu venceste porque seguiste em frente. Eu perdi porque ainda não te esqueci.

domingo, 18 de março de 2012

Um

Um sorriso vazio.
Um olhar frio.
Um rosto pálido.
Um corpo cansado.
Um coração apertado.

Um amor perdido.
Um erro.
Um desencontro.
Um em vez de dois.
Um contra o outro.

Um rumo.
Um refúgio.
Um dia atribulado.
Um jogo pela sobrevivência.
Um no seu limite.
Um na sua consistência.

Um choro.
Um grito.
Um pensamento.
Um desabafo.
Um desalento.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Aprender



Uma imagem valeu mais do que mil palavras. Por mais que me doa, neste momento, prefiro que me vires a cara do que me olhes nos olhos e permaneças em silêncio. Perdi-me por segundos com a tua frieza, com a tua indiferença mas finalmente percebi que, agora mais do que nunca, não passaste de um olhar.

A porta fechou e eu percebi que fiz esta viagem sozinho. Não te queria deixar ir mas desta vez pensei com a cabeça e não com o coração, mentalizei-me que nunca devia ter tirado os pés do chão, nem devia ter idealizado uma vida ao teu lado.

Aprender a respirar outro ar, outro cheiro. Aprender a ouvir outra voz, a chamar um outro nome. Aprender a viver sem a tua presença, sem o teu olhar. Aprender a escrever sem te ter como assunto principal. Aprender a sobreviver num mundo onde já não existes. Aprender a dar prioridade a quem a merece. Aprender a libertar-me dos fantasmas do passado. Aprender a ser livre. Aprender a voltar a amar.
Resta-me aprender...

"... No love, no glory, no happing end."