sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Encontro-te, perco-me


Encontro-te, perco-me.
Páro, observo-te.
Penso, sinto-te.

Como se de uma droga se tratasse, consumo-te intensamente. Fumo-te. Perco os sentidos, passo da realidade para a ilusão, tenho-te por breves instantes. Em estado de dependência, deliro. Ouço-te a falar, vejo-te a sorrir. Quero-te mais, oh desejo irrealizável!

E quando acordo lúcido.
Consciente.
Tu já não estás. Eu fico, sem ti.

Os dias passam e quanto mais tempo fico sem te ver, mais saudades tenho de ti. Não faz sentido esta dor, deixaste claro no teu olhar vazio que tinha chegado o fim. Mostraste-me que estavas bem, provavelmente melhor sem mim. Ajuda-me. Ensina-me a não querer mais de ti. Ensina-me a sobreviver num mundo onde já não existes. Não quero continuar a procurar-te em cada rua que passo, não quero continuar a procurar as tuas pegadas em cada chão que piso. Olha-me nos olhos e diz que já não precisas de mim, diz-me que nunca precisaste.

Reflicto, escrevo, sofro.
Corro, fujo, esqueço.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Talking to the moon



Levanto-me a meio da noite e espreito pela janela. Procuro a lua. Hoje não a encontro... Logo hoje que me sinto tão sozinho e que preciso da sua companhia. Deitado na cama, enrolado no cobertor, tentei evitar levar a mente para outro lugar e apreciar a tranquilidade natural da noite, mas hoje a noite ao chegar não me trouxe a paz que eu precisava, pelo contrário, trouxe-me a solidão consigo. Que noite fria, que corpo gelado, que alma vazia. É assim que eu me sinto hoje, lua. Sabes do que sinto falta? De um olhar sincero, de um sorriso verdadeiro, de um abraço amigo. Onde estás, lua? Prometo que deixarás de ouvir a minha mágoa, que não irás ver uma lágrima a escorrer pelo meu rosto, irei permanecer em silêncio, se assim preferires. Aparece. Eu sei que também te sentes só nestas noites melancólicas, mas vem que eu dar-te-ei os meus olhos para os abraçares com a tua luz. Vou-me despedir com um até amanhã, mas a minha vontade era deixar-te com um até já, escrito no vidro embaciado da janela do meu quarto.