quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Devolve-me as asas



Foste fogo de artíficio,
deste cor ao meu céu,
hoje és a chuva e o trovão
da tempestade que me atingiu
sem protecção.

Levaste a paz contigo
deixaste o som da guerra
no meu ouvido.

A tua indiferença
ofuscou a luz da
minha esperança,
a tua fragilidade
quebrou a nossa aliança.

Não quero ficar,
preso neste lugar,
devolve-me as asas,
quero voltar a ser livre,
deixa-me voar.

Desta vez vou voar
mais alto, mais além,
devolve-me as asas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ilusão



Dizem que não podemos sentir falta de alguém que não conheçemos, de alguém que nunca foi nosso. Fui eu que criei uma ilusão? Fui eu que tentei escrever uma história sem princípio, meio e fim? Fiz eu que fiz um esboço de um retrato inexistente?

Como é possível passarmos dias a pensar em alguém de quem nem a voz conhecemos e mesmo assim considerarmos essa voz o nosso som preferido e o qual mais queremos ouvir? Adormecer a pensar em alguém de quem nunca provámos o sabor dos seus lábios. Implorar indirectamente a essa pessoa para que nos continue a olhar nos olhos e que não desvie o olhar por um instante.

Soltamos sorrisos rasgados, estúpidos, talvez sem razão de ser, mas ao nosso redor tudo passa a exalar um cheiro a felicidade e a "sujidade" alheia torna-se insignificante e secundária.

Ficamos tão iludidos que pela nossa cabeça passam inumeras loucuras. Embrulhamos todos esses pensamentos numa caixa e oferecemos a mesma com um bilhete escrito com somente duas palavras "vamos fugir?". A vontade é essa, fugir. Ir embora, largar tudo e ir em busca da felicidade. Descobrir e partilhar o que de melhor existe no mundo ao lado dessa pessoa. Sem pensar em bens materiais, leva-se na bagagem apenas o coração quente e duas mãos entrelaçadas.