quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Desejo




Não foram dias, nem foram apenas meses. Foram anos perdidos acorrentado ao desejo de te ter e de nada valeu a pena. Despertaste em mim aquilo que não quiseste cuidar, fizeste-o para te sentires amada e não amaste. Não retribuíste o mesmo desejo porque não querias sentir o que eu agora sinto. Fui eu que passei noites sem conseguir dormir, fui eu que passei manhãs sem saber sorrir. Porque eu ainda volto a trás, enquanto tu provavelmente já seguiste em frente. Porque enquanto eu continuo constantemente a enfrentar obstáculos, tu nunca os tiveste.

Decorei a tua maneira de andar,
o teu jeito de olhar,
Agora, tento descobrir
a melhor forma de te apagar.

Não consigo viver da incerteza e a minha felicidade não depende apenas das memórias. Não posso continuar à espera que abras a boca e digas o que eu quero ouvir. O que eu apenas quero ouvir é a verdade, só a verdade. Estou a pedir muito?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Jogo




Aqui estou eu a gastar as poucas palavras que ainda me restam. Talvez seja um pretexto para me tentar despedir, talvez seja para perceber o que ainda sinto. Antes aparecias quando eu menos esperava. A tua imagem permanecia quando eu já não queria e quando pensava que já não tinha nenhum motivo para estar amarrado ao passado, um mero olhar teu trazia tudo o que supostamente tinha sido levado pelo vento e controlava este frágil coração. Mas hoje é impossível dar-te mais de mim se não mostras o que realmente sentes. Tantos são os motivos que te trazem, como te levam. Tão depressa nos aproximámos, como nos afastámos.

E se te tivesse dito o quanto te queria quando acordava e adormecia a pensar em ti?
Teria sido diferente?
Estarias-me a dar a mão neste momento?

Tudo fica incerto, todas as dúvidas que tenho ficam dentro de um ponto de interrogação no qual ainda não encontrei a resposta e não sei se um dia a irei encontrar. Não posso ler o teu pensamento, nem descobrir se é em mim em quem tu pensas quando não consegues adormecer mas só preciso de saber se ficas ou se vais, se me consideras como teu ou se me preferes libertar. Não quero mais esse jogo sujo de troca de olhares que não nos leva a lado nenhum e só nos faz perder tempo. É altura de terminar o jogo, de ouvir um "Até já" ou um "Adeus" definitivo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Uma parte de mim




Uma parte de mim não me deixa sossegado.
Uma parte de mim deseja acabar com todo o silêncio que nos envolve.
Uma parte de mim queria-te dizer ao ouvido a palavra que descreve o que sinto mas os meus lábios congelam e não conseguem pronunciá-la por mais que tente.

Sinto-me fraco porque hesito e ignoro a minha vontade. Talvez eu já não saiba o significado inteiro dessa palavra mas ainda não a consigo apagar do meu vocabulário. Ainda continuo a gastar linhas no meu caderno a tentar revelar cada pormenor da importância que essa palavra ainda tem para mim.

Eu podia continuar a fingir que já não te quero mas ainda penso em ti. Continuo a pensar em ti porque ainda não me habituei a fazer o contrário e ainda não consegui preencher o vazio que ficou. Continuo a pensar em ti porque um dia sonhei alto. Sonhei que podia fazer parte da tua vida e acordar ao teu lado todas as manhãs. Sonhei que podiamos compensar o tempo perdido. Foi apenas um sonho?

Uma parte de mim não aceita desistir.
Uma parte de mim precisa de te ouvir dizer que não vale a pena, que foi ilusão da minha parte e que nada faz sentido para ti.

A..-te?

Imagem: darkhairedgirl