domingo, 23 de janeiro de 2011

A noite de hoje, o dia de amanhã




Não quero adormecer.
Quero viver a noite.

Deixem-me me alimentar com este silêncio e com esta tranquilidade que só existe durante a noite. Deixem-me ficar aqui em paz porque amanhã não vou querer sair à rua. Não, amanhã não vou querer abrir a janela, nem acender a luz. Deixem-me espreitar pelos buracos dos estores e ver a lua reflectida nas poças de água. Deixem-me sonhar agora e tirar os pés do chão. Deixem-me abrir a janela e respirar vagarosamente enquanto posso. Deixem-me ser da noite porque amanhã as pessoas vão acordar, vão sair à rua e sujar o dia. Amanhã as pessoas não vão querer voar. Amanhã as pessoas vão querer (re) começar a guerra de ontem ou inventar a guerra de amanhã. Eu vou acordar enrolado no cobertor sem vontade de fazer qualquer tipo de movimento, deixar-me colado ao colchão e esperar pelo anoitecer. Que este frio que agora sinto congele o meu pensamento e faça com que eu não acredite que não posso viver o dia da mesma forma que vivo a noite.

Mas por enquanto,
quero a noite de hoje.
Não quero o dia de amanhã.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Not in love




Tive duas opções: permanecer na ilusão ou encarar a impossibilidade de um dia fazer parte do teu mundo. Optei por me libertar dos (nossos) pedaços que estavam espalhados e que nunca se juntaram. Não podia continuar à espera para saber o que sentias ou o que querias, não podia continuar a alimentar um sentimento que para mim já não tinha razão de existir porque agora sei o que sinto e na verdade não sinto nada, simplesmente já não sinto. Abri os olhos e vi que o meu caminho é diferente do teu, abri os braços e percebi que posso abraçar a vida e ser feliz sem te ter ao meu lado. Vou juntar todos os textos que te escrevi e guarda-los no fundo de uma gaveta. Vou pegar nas memórias que tenho e entregá-las ao vento. Desta vez vou pensar em mim, vou escrever uma nova história em que a personagem principal serei eu e não tu.

Perdi o desejo de sentir o teu cheiro.
Perdi a vontade de te beijar.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Dança




Frio está o meu corpo
A aquecer devagar
A minha alma vazia vai-se alimentando
Em cada movimento singular

Dançar é expressar sem ter que falar

Ao entregar o meu corpo à música
Deixo libertar
O que está dentro de mim
Com vontade de se expressar


Danço para expressar o que sinto
Danço para me sentir repleto
Danço porque amo dançar
Danço porque um dia sem dança
É um dia incompleto.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011