domingo, 26 de setembro de 2010

Fica comigo esta noite





A música traz-me recordações, faz-me ver-te onde já não estás, não me deixa respirar devagar. A tua imagem surge na escuridão, não fecho os olhos, não quero que vás embora, fica comigo esta noite. As minhas mãos reagem, aquecem quando penso em te tocar. Imagino o teu riso melodioso a preencher este vazio, o teu olhar a despertar em mim o desejo de te sentir, fica comigo esta noite. Não há espaço para a solidão quando apareces nestas noites melancólicas, fica, torna esta noite interminável.

Sabias que já pensei em bater à tua porta? Não te deixar falar, levar-te para a rua e estar contigo à chuva quando as luzes das casas já estão apagadas, quando já não existem carros nas ruas, quando a cidade já está a dormir.

Sem palavras,
sem sons,
dar-te a mão,
saborear suavemente cada instante.

Fica comigo esta noite, hoje as paredes do meu quarto não vão ouvir a dor que me consome de forma veemente. Perfuma o vazio com o teu cheiro, faz com que eu não precise de sair de casa e olhar para trás em cada rua que passo para ver se estás lá.

Deixa-me escrever o que sinto no teu corpo,
espalhar em cada pedaço teu as palavras que estão ocultas na minha mente,
enlaçar-te num abraço e ficar contigo esta noite.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Como um barco


Encontrei-me instável. Estava sozinho, tão perdido
sem saber para onde ir e com quem estar.
Senti-me como um barco que estava a ser rumado sem direcção.
Inclinei-me ligeiramente e vi a minha imagem distorcida na água.
Em forma de concha, abri as minhas mãos e enchi-as para molhar o meu rosto, a água juntou-se às lágrimas que corriam mas o rosto continuava pálido,
a minha alma continuava vazia.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O Relógio



Ainda me lembro de ver nos teus olhos
as palavras que a tua boca não conseguiu pronunciar.

Sustentámos a verdade com o silêncio.

Gastaram-se minutos a tentar esquecer,
perderam-se horas a pensar sem conseguir agir.

Ainda existem pedaços teus espalhados pelas ruas onde
nos encontrámos que te trazem de volta e me deixam inquieto.

Tenho saudades tuas,
tenho saudades do que desejava ter e nunca tive.

O Relógio sussurra-me, diz-me que o ponteiro não volta atrás e que
lembrar é trazer de volta o tempo perdido.